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Automobilismo


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Apesar de ter passado antes pelo Esqui e pelo MotoCross, confesso que o Automobilismo fez parte dos meus sonhos desde que me conheço por gente. Meu primeiro contato com carros de corrida foi na equipe do meu grande amigo Beto Naval que corria na categoria Turismo Nacional na Argentina. Já naquela época - com 17 anos de idade - eu costumava viajar para Santa Rosa nos finais de semana de corrida para desempenhar qualquer papel que fosse possível dentro da equipe.


Aos 23 anos, quando cheguei ao Brasil, tinha acabado de me despedir do Esqui e, acostumado a ser reconhecido e paparicado dentro do universo do esqui, me vi totalmente desnorteado, na maior cidade de um país onde eu conhecia meia dúzia de pessoas. Por outro lado, era muito boa a sensação de poder enxergar o horizonte, não apenas no sentido figurativo, mas literalmente, pois quem vive no cerro não consegue enxergar o mundo além das montanhas. Somado a isso, nascia minha primeira filha Fabiana, que mudava minha vida para sempre. E essa nova abertura me desafiava para a realização de todos os meus sonhos que nunca estiveram tão difíceis de se concretizarem. Foi quando decidi comprar uma moto e correr de MotoCross, atividade que convivi durante toda minha adolescência, pois minha cidade natal sediava grandes eventos deste esporte. Cheguei a disputar algumas provas da categoria de novatos sem grandes resultados. Não foi difícil abandonar as motos, mesmo porque, o que eu realmente desejava era o automobilismo e é claro que os requisitos para correr de carro eram muito mais onerosos. Mas alguma coisa me dizia que aquela era a hora.


Em 1985, através do apoio da Tickets e da Unipark, pude ingressar no Kart fazendo toda a temporada do ano seguinte. Em 1987 fiz o Campeonato Paulista de Fórmula 1600, uma categoria escola, sem artifícios aerodinâmicos, mas que confirmou minha paixão por monopostos e me ensinou realmente a dirigir carros de corrida. Já neste ano, fui Campeão Brasil-Central e Vice-Campeão Paulista da categoria. Em 1989, corria na Fórmula Super 1600, categoria que utilizava os antigos carros da extinta Fórmula 2 Sul-Americana. Neste ano fui vice-campeão paulista da categoria e no ano seguinte conquistei os meus maiores recordes, sejam de vitórias, poles e pontos.


Em 1991 percebi que não me restava muito tempo para tentar a carreira internacional, quando optei pela Fórmula SAAB nos Estados Unidos, categoria que na época equivalia à Fórmula 3 Sul-Americana. No ano seguinte, fui convidado para correr no México, participando da Fórmula 2 e Fórmula 3 Mexicana e em 1993, de volta aos Estados Unidos, minha esposa Leila engravidou, o que culminou com a decisão de retornarmos para casa para que nossas filhas nascessem no Brasil. Nesta ocasião tive certeza que minha carreira no automobilismo estava por terminar.


Já no final daquele ano, tinha conquistado 19 quilos a mais, nossas gêmeas Paulina e Nichole, além de dois estabelecimentos comerciais, que definitivamente desenhavam minha nova opção profissional. Tudo indicava que o automobilismo fazia parte de um passado feliz, no entanto, em 1994 todas as forças da natureza conspiravam a favor do meu retorno para as pistas. Patrocínio, equipe, empresário, enfim, tudo aquilo que eu nunca tive de graça, bateram à minha porta numa oportunidade imperdível de participar da Fórmula 3, categoria B. Como não podia ser diferente, voltei às corridas, participando naquele ano simultaneamente do Campeonato Paulista de Fórmula 2000 e do Brasileiro de Fórmula 3. Fui campeão nas duas categorias e, embora tenha feito uma ou outra corrida em anos posteriores, 1994 foi definitivamente o ano que fechou com chave de ouro a minha carreira de piloto profissional.


Embora não seja mais um piloto profissional, minha paixão por automobilismo nunca acabou e isso se reflete na Quadriculada, coluna que escrevo para o Jornal do Estado, E sou eternamente grato pelos meus chefes de equipe, mecânicos, patrocinadores, amigos pilotos, enfim, a todo o universo maravilhoso que compõe este esporte ao qual devo grande parte da minha vida. Robbi Perez




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